Mesa da Câmara passa a valer a prefeitura
Com Paulo Martins a caminho de Brasília, Curitiba ficará sem vice-prefeito até o fim de 2028. Quem presidir a Câmara no próximo biênio será o primeiro a assumir a cadeira de Eduardo Pimentel.

Encerrado o segundo turno, a política de Curitiba volta os olhos para dentro do Palácio Rio Branco. A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal para o biênio 2027-2028 deve acontecer em dezembro, e desta vez a disputa vale mais do que o comando do Legislativo. Sem vice-prefeito a partir do ano que vem, o presidente da Câmara passa a ser o substituto imediato do prefeito Eduardo Pimentel (PSD) em viagens, licenças e afastamentos.
O cargo ficará vago porque Paulo Martins (Novo), eleito vice na chapa de Pimentel em 2024, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 44.029 votos e toma posse em 1º de fevereiro. Diferentemente de vereadores e deputados, vice-prefeito não tem suplente. Segundo a Tribuna do Paraná, a substituição temporária do prefeito passa a ser feita pelo presidente da Câmara e, depois dele, pelo vice-presidente da Casa. Hoje, os dois postos são ocupados por Tico Kuzma (PSD) e Leonidas Dias (Podemos).
Na prática, a Mesa eleita em dezembro vai comandar a Câmara justamente nos dois anos em que a prefeitura não terá vice. Além de ocupar o gabinete do prefeito nas ausências, o presidente da Casa controla a pauta de votações e o ritmo dos projetos do Executivo, num período que termina às vésperas da campanha municipal de 2028.
Pelo Regimento Interno, a eleição de renovação da Mesa acontece nos 30 dias que antecedem o fim do ano legislativo, com convocação de pelo menos sete dias de antecedência. O voto é aberto e nominal, e um vereador não pode ser reeleito para o mesmo cargo dentro da mesma legislatura. A regra tira Kuzma da disputa pela recondução à presidência.
Quem circula nos corredores
Quatro nomes aparecem com mais frequência nas conversas da CMC. Marcelo Fachinello (Podemos) já presidiu a Casa na legislatura passada e conhece o caminho para montar maioria entre os 38 vereadores. Serginho do Posto (PSD), também ex-presidente da Câmara, é um dos vereadores mais antigos do plenário. Leonidas Dias (Podemos), atual primeiro vice-presidente, já está na linha sucessória e tenta subir um degrau.
A novidade é Fernando Klinger (PL), vereador de primeiro mandato. O nome dele ganha peso pelo partido. Com Sergio Moro eleito governador pelo PL e Pimentel alinhado a Flávio Bolsonaro no segundo turno, uma presidência do PL na Câmara aproximaria ainda mais a prefeitura do novo governo estadual.
Nenhuma candidatura foi oficializada, e a convocação da sessão ainda não foi publicada. O que o Palácio 29 de Março decidir apoiar deve pesar na formação dos blocos. Para o curitibano, a escolha deixa de ser um assunto interno dos vereadores: em dezembro, a Câmara vai definir quem senta na cadeira do prefeito quando ele não estiver.
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